VIDE: DA SABEDORIA DA SINGULARIDADE NO VERBO DE MAOMÉ
Aqui, certamente, Keith traduz prāṇa aqui por «odor», como também Hume se inclina a fazê-lo para o prāṇa de Kaushītaki Upanishad II.15. Pode-se observar que o texto inteiro de Bṛhadāraṇyaka Upanishad III.2.2, «A inalação é um agarrador. Mas por sua vez é agarrada pela exalação como um super-agarrador: certamente, é pela exalação que se cheiram os odores» (prāṇo vai grahaḥ sa apānena atigraheṇa gṛhyate apānena hi gandhān jighrati) tem um paralelo em Aitareya Āraṇyaka II.2.1 onde «A inalação é o tragador, e a exalação o saboreador» (prāṇo vai ghasā, apāno madā) — aqui graha corresponde a ghasā e atigraha a madā. A inalação tem assim uma parte a desempenhar no ato de cheirar, mas apenas uma parte preparatória; é pela exalação que se cheira efetivamente o que foi inalado. O mesmo poderia dizer-se do olho: a retina reflete, certamente, mas é o poder interno que vê — «Quem quer que vê, é por Seu raio que vê» (Śāṁināyya Upanishad Brāhmaṇa I.28.8). Da mesma maneira que, se somos tocados nas costas, «é com a mente (e não com a pele) que se o sabe» (Bṛhadāraṇyaka Upanishad I.5.3). Não há que dizer que todo «sopro» implica uma inalação prévia.
O que diz nosso texto é que o sujeito conhecedor primeiro se esforçou por entender os objetos dos sentidos por seus efeitos empíricos, isto é, o odor pela reação física dos nervos olfativos; mas encontrou que isso era meramente uma sensação, cognoscível como tal mas não como «odor»; apenas quando a luz do intelecto se projeta sobre o objeto fragrante pode conhecer-se realmente o «odor». Não é com o nariz que se cheira, mas apenas com aquilo que «agarra», isto é, o atigraha do órgão físico. Em outras palavras, a sensibilidade é uma paixão, mas a percepção é um «ato da vontade, uma direção do sentido interno» (Richards, Coleridge on Imagination, p. 47).
CABALA CRISTÃ
Annick de Souzenelle: LE SYMBOLISME DU CORPS HUMAIN
Assim como a flor do lírio simboliza por sua forma e sua brancura o jorrar do coração Tiphereth nos dois braços, um do rigor, outro da misericórdia, da mesma maneira, ao nível do rosto, a flor do ser se desabrocha na raiz do nariz e distila seu perfume.
«Suas faces são como um perfume de aromas, canta a Sulamita, como uma cobertura de plantas odoríficas...»
Aqui, chegamos em estágios raramente vividos, então que falar dos «perfumes do ser» parece verdadeiramente uma frase de estilo.
E no entanto, nada é mais real que este perfume da flor do ser, tão inconscientemente buscado. Incapaz de exalar dele mesmo, o Homem o toma emprestado às flores das quais ele destila as essências para delas se perfumar.
Encontramos ainda sob este aspecto fenomenal a lei segundo a qual a humanidade transpõe ao exterior dela mesma o que ela é incapaz de viver interiormente, procurando artificialmente isto que não está pronta a se tornar.
O perfume não é um dos menores charmes ativos da sexualidade de ordem corrente.
No ser nascido a seu devir, ao contrário, o odor é a exalação mesma do corpo quintessenciado no cumprimento da Grande Obra alquímica. O corpo é então feito câmara nupcial do céu e da terra e o coração ritmo das pulsações da Vida universal.
Esta passagem citada por Hubert Lacher, sobre Narayana, o herói do romance de Makhali-Phal, ilustra ainda mais:
E, como disse, esta virilidade tendo crescido nele como uma árvore, até a cabeça... e basta ver à luz de seus olhos para se deixar penetrar pelo poder super-humano de sua virilidade. Esta virilidade, a este ponto expandida, desprendia ao redor de Narayana o odor do herói que era talvez o odor de Adão no Paraíso Terrestre. Este odor que reconheceu instantaneamente e que ama uma tigresa, os cristão diriam que é o odor do Homem antes do pecado.
Este «odor de Adão antes do pecado», Isaac o Sírio, por seu lado, dele fala justamente em suas «Sentenças» (LXXXIV):